Swans and the Purging Ritual of Experimental Music // Swans e o ritual purgativo da música experimental

There was a time when I discovered the experience of listening to music while taking a shower in the dark. It may seem like something bizarre. It's actually something bizarre, it's the kind of thing you don't even tell your family about. My family doesn't know this. But anyway, by chance it was in a very bitter time where I was looking for certain "soul purges", I was looking to purify myself in some way. And the light-off bath listening to music quickly moves from an introspective moment to a true ritual, depending on what music you'll be listening to. And in this case, I was listening to Swans.


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More specifically, I listened to Lunacy, from the album "The Seer". That with all its multiple layers entangled in a nightmare amalgam of noises and textures, I was building an automaton exorcism in my being, that I felt that water drain from my skull to my feet and took not only the impurity of my body to the drain. but also my salty tears as that psychotic mantra remained vibrant resonating on the damp tiles of the shower stall:

"In the mind
of no one
Fallen son
fall in love
break the chain
Hide within
Innocence
not innocent
Innocent
in the sense
eat the beast
keep him in
take the blame
speak the name
Lunacy
Lunacy
Lunacy
Lunacy"

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In the darkness I gave my soul that growing sound that was overpowering me. It was in those nights, in these baths of pain and purge, that I understood that not all music is made to heal you in the "traditional" way. Sometimes it's not a melancholy sung in a sweet and melodic way that will solve your sorrows and uncertainties, sometimes it's not a rock or a ballad that you need. Swans won me over for his strange chaotic and powerful sensibility, bitter and extremely vigorous, indifferent to his cry for mercy, indifferent to his frailty. They destroy the channels of pain and suffering without mercy, they tear down the barriers of the acceptable and the pleasant, and often without even you understanding at all what is happening.

I gradually fell in love with this constant strangeness of the group and I still feel that I know so little about them. But I still think it's cool to share some basic information about their biography, like the fact that the band has more than 30 years of career and remains brutal, in fact, increasingly intense. Reading today about the group's beginnings, I found out that Thurston Moore (Sonic Youth) even played bass in Swans' early lineup! The band became less noise, less chaotic with Jarboe's input, but only at an acceptable level to expand their horizons and capture new layers of listeners who would soon be tangled up in their complex weaves of noisy and disturbing textures.


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Naturally, this disturbing creative core, so rich, so complex, comes from the creator of the band, and practically all the work of these 30 years: Michael Gira. His compositions were always based on dense, heavy, aggressive, disturbing, misanthropic themes, and so on. In addition, Gira gained a reputation for performing extremely noisy shows, so loud that they made the audience feel sick and often suffered police intervention to make them turn down. Amidst various phases of the band, some moments are pure chaos and others pure ecstasy, Gira is a great songwriter and somehow manages to cause a kind of fear or affliction in the listeners, his energy is somehow very frightening.

This was my brief account as a listener of this incredible project called Swans, I hope it served to entertain you and I leave here the musical recommendation of another example of the band's melodic and not just chaotic power: "Blind"


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Thômas H N Blum

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PORTUGUÊS

Houve uma época onde eu descobri a experiência de ouvir música enquanto tomava banho no escuro. Pode parecer algo bizarro. Na verdade é algo bizarro, é o tipo de coisa que nem se conta para a própria família. Minha família não sabe disso. Mas enfim, por acaso foi em uma época bastante amarga onde eu buscava determinados "expurgos da alma", buscava me purificar de alguma forma. E o banho de luz apagada ouvindo música rapidamente passa de um momento introspectivo para um verdadeiro ritual, dependendo de qual música você estará ouvindo. E nesse caso, eu estava ouvindo Swans.

Mais especificamente, eu ouvia Lunacy, do álbum "The Seer". Que com todas as suas múltiplas camadas emaranhando-se em uma amálgama pesadelar de ruídos e texturas ia construindo um exorcismo autômato em meu ser, que sentia aquela água escorrer do meu crânio até os pés e levava para o ralo não só a impureza de meu corpo mas também as minhas salgadas lágrimas enquanto aquele mantra psicótico permanecia vibrante ressoando nos azulejos úmidos do box do banheiro:

"In the mind
Of no one
Fallen son
Fall in love
Break the chain
Hide within
Innocence
Not innocent
Innocent
In the sense
Eat the beast
Keep him in
Take the blame
Speak the name
Lunacy
Lunacy
Lunacy
Lunacy"

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Na escuridão eu entregava a alma aquele som crescente que ia me dominando. Foi naquelas noites, nestes banhos de dor e expurgo é que compreendi que nem toda música é feita para te curar da forma "tradicional". As vezes não é uma melancolia cantada de forma meiga e melódica que vai lhe resolver as tristezas e incertezas, as vezes não é um rock ou uma balada que você precisa. Swans me conquistou por sua estranha sensibilidade caótica e poderosa, amarga e extremamente vigorosa, indiferente ao seu clamor de misericórdia, indiferente a sua fragilidade. Destroem os canais de dor e de sofrimento sem clemência, devastam as barreiras do aceitável e do agradável e muitas vezes sem nem mesmo você compreender afinal de contas o que está acontecendo.

Acabei pouco a pouco me apaixonando por essa estranheza constante do grupo e ainda sinto que sei tão pouco deles. Mas ainda assim acho legal compartilhar algumas informações básicas sobre a biografia deles, como o fato da banda ter mais de 30 anos de carreira e permanecer brutal, aliás, cada vez mais intensa. Lendo hoje sobre o começo do grupo, descobri que Thurston Moore (Sonic Youth) chegou a tocar baixo na formação inicial do Swans! A banda tornou-se menos noise, menos caótica com a entrada de Jarboe, mas apenas num nível aceitável para expandir seus horizontes e capturar novas camadas de ouvintes que logo estariam emaranhados em suas tramas complexas de texturas ruidosas e perturbadoras.

Naturalmente que esse núcleo criativo perturbador e tão rico, tão complexo vem do criador da banda, e de praticamente todo o trabalho desses 30 anos: Michael Gira. Que tinha como base para suas composições sempre temas densos, pesados, agressivos, perturbadores, misantrópicos, e assim por diante. Além disso, Gira ganhou a fama de fazer shows extremamente barulhentos, tão altos a ponto de fazer a plateia passar mal e não raro, sofrerem intervenção policial para que baixassem o som. Em meio a várias fases da banda, alguns momentos são de puro caos e outros de puro êxtase, Gira é um grande compositor e de alguma forma consegue causar uma espécie de medo ou aflição nos ouvintes, sua energia é de alguma forma muito assustadora.

Esse foi meu breve relato como ouvinte desse incrível projeto chamado Swans, espero que tenha servido para lhe entreter e deixo aqui a recomendação musical de mais um exemplo do poder melódico e não apenas caótico da banda: "Blind"


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Thômas H N Blum


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